FPN alerta para avanço da pirataria esportiva, que já provoca prejuízo de R$ 31,8 bilhões à economia brasileira

A Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) acompanha com preocupação o avanço da pirataria no mercado esportivo brasileiro. Levantamento divulgado pela ÁPICE revela que o consumo de produtos esportivos não originais alcançou mais de 225 milhões de unidades em 2025, crescimento de quase 30% em relação a 2023. O resultado reforça um desafio crescente para a construção de um ambiente de negócios mais competitivo, com impactos diretos sobre empresas regulares, empregos formais e arrecadação tributária.

A defesa da livre concorrência, da segurança jurídica e do fortalecimento da atividade produtiva está entre os pilares da atuação da FPN. Nesse contexto, os dados do estudo evidenciam como o mercado ilegal compromete investimentos, reduz oportunidades de geração de renda e cria obstáculos para empresários que cumprem suas obrigações fiscais e regulatórias.

Segundo o levantamento, a pirataria já representa 34% de todo o mercado esportivo brasileiro, percentual superior aos 30% registrados em 2023. O prejuízo potencial para o setor alcança R$ 31,8 bilhões, enquanto os tributos que deixaram de ser recolhidos somam R$ 7,4 bilhões. Além disso, cerca de 60 mil empregos deixaram de ser gerados ou foram perdidos apenas na etapa de produção.

Os números demonstram que o combate ao comércio ilegal não se limita à proteção de marcas e empresas. Trata-se também de uma agenda estratégica para a geração de empregos, o aumento da arrecadação pública e a promoção de um ambiente econômico mais equilibrado e favorável aos investimentos.

Outro dado que chama atenção é o crescimento do consumo de produtos esportivos piratas. Em apenas dois anos, o volume comercializado saltou de 173,4 milhões para 225,1 milhões de unidades, consolidando uma tendência de expansão do mercado ilegal no país. Como consequência, a participação desses produtos no setor esportivo brasileiro passou de 30% para 34%.

A pesquisa também revela uma mudança importante no comportamento de compra dos consumidores. Embora o comércio físico ainda concentre a maior parte das vendas de produtos piratas, respondendo por 56% do total, os canais digitais seguem ganhando espaço e já representam 44% das aquisições, percentual superior aos 37% registrados em 2023.

O avanço do ambiente digital tem ampliado os desafios de fiscalização. De acordo com o estudo, a comercialização de produtos piratas ocorre não apenas em marketplaces, mas também por meio de redes sociais e outras plataformas online, ampliando o alcance das ofertas ilegais e dificultando o rastreamento das operações. A descentralização das vendas permite que comerciantes utilizem perfis temporários e canais alternativos para continuar atuando mesmo após ações de fiscalização.

O levantamento aponta ainda que o principal fator que leva consumidores a adquirirem produtos não originais é o preço. Cerca de 69% dos entrevistados afirmaram optar pelos itens piratas em razão do custo inferior em comparação aos produtos originais. Outros 44% destacaram a semelhança visual entre os produtos como fator determinante para a compra.

Para a FPN, os dados reforçam a necessidade de ações coordenadas entre o poder público, o setor produtivo e as plataformas digitais para ampliar o combate ao comércio ilegal. O enfrentamento da pirataria é fundamental para garantir condições justas de concorrência, estimular investimentos, preservar empregos formais e fortalecer a arrecadação necessária para o financiamento das políticas públicas.

A construção de um ambiente de negócios mais moderno, competitivo e seguro passa necessariamente pela valorização das empresas que atuam dentro da legalidade. Nesse sentido, o combate à pirataria deve permanecer como uma pauta prioritária para o desenvolvimento econômico sustentável e para o fortalecimento da livre iniciativa no Brasil.

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